Primeiro preciso dizer que posto completamente bêbada: estou embebecida de paz e amor. Acabei de ver o documentário "Estados Unidos contra John Lennon" e tenho certeza de que meus dias não serão mais os mesmos. Eu sei que não há nada de original em usar a mídia para promover suas idéias [algum dia também escreveram a Bíblia]. Também sei que a arte sempre foi a mais criativa forma de protesto [e que o amor é o maior dos clichês]. Sem contar que, 60 anos antes de John, Modigliani também morria cedo em seu romantismo. O que me comoveu de verdade na narrativa de Lennon foi a sensibilidade de uma juventude à paz: aquela paz do amor, do anti-nacionalismo, a paz do ser-humano [e só]. E vocês hão de concordar comigo: vê-se poucos humanos por aí. Bem, agora vou respeitar minha ressaca e digerir meu karma [porque uma vez descoberta a paz do amor-humano, não se pode mais ignorá-la].
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3 de agosto de 2010
21 de julho de 2010
. Sobre Caio F. e o amor .
Querido Jim, hoje vou te deixar de lado. A ti e a à vodka.
Meu papo agora é com o Caio F. [e estou dentro da taça de vinho].
Esse Fernando está aqui me falando sobre um “tapete gasto, antigamente púrpura, depois apenas vermelho, mais tarde rosa cada vez mais claro”. Já disse pra ele que entendo bem disso, e que meu tapete agora é nude. Meu amor está fashion, Caio! Vai ver é por isso que estamos conversando sobre ele. Mais podemos dizer sobre o amor quando menos amor [carne-desejo-dor] sentimos, não é?!
Meu amor já é morango mofado. E é assim mesmo: a gente só faz questão de lembrar dele quando esqueceu. E sonha com ele só depois de voltar a dormir tranquilo.
Tá bem, “estou me confundindo, estou me dispersando”.
Só queria te dizer que nunca tive um dragão morando comigo. Eu sou meu próprio dragão, Caio. Cresci com dragões, amei dragões. Chorei sua ausência quando partiram, justamente porque sou um deles e entendo perfeitamente que depois de tudo o amor fica nude.
Bem no fundo, todos somos dragões, daqueles que têm medo nenhum da solidão.
Tememos sim nossa própria lucidez sobre o amor e usamos a solidão apenas para causar pena nos velhos [porque você sabe neh?! Os velhos nos conhecem e têm pena de nós].
.
Bem, tive que tomar minha última taça [o médico me proibiu de beber].
Beijo Caio. Fica bem!
PS: a carta envelheceu sete dias, tive preguiça de vir ao correio. Sigo feliz. Começo as férias amanhã.
Meu papo agora é com o Caio F. [e estou dentro da taça de vinho].
Esse Fernando está aqui me falando sobre um “tapete gasto, antigamente púrpura, depois apenas vermelho, mais tarde rosa cada vez mais claro”. Já disse pra ele que entendo bem disso, e que meu tapete agora é nude. Meu amor está fashion, Caio! Vai ver é por isso que estamos conversando sobre ele. Mais podemos dizer sobre o amor quando menos amor [carne-desejo-dor] sentimos, não é?!
Meu amor já é morango mofado. E é assim mesmo: a gente só faz questão de lembrar dele quando esqueceu. E sonha com ele só depois de voltar a dormir tranquilo.
Tá bem, “estou me confundindo, estou me dispersando”.
Só queria te dizer que nunca tive um dragão morando comigo. Eu sou meu próprio dragão, Caio. Cresci com dragões, amei dragões. Chorei sua ausência quando partiram, justamente porque sou um deles e entendo perfeitamente que depois de tudo o amor fica nude.
Bem no fundo, todos somos dragões, daqueles que têm medo nenhum da solidão.
Tememos sim nossa própria lucidez sobre o amor e usamos a solidão apenas para causar pena nos velhos [porque você sabe neh?! Os velhos nos conhecem e têm pena de nós].
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Bem, tive que tomar minha última taça [o médico me proibiu de beber].
Beijo Caio. Fica bem!
PS: a carta envelheceu sete dias, tive preguiça de vir ao correio. Sigo feliz. Começo as férias amanhã.
12 de julho de 2010
. As duas Fridas .

Frida tornou-se mãe. Enfim ela conseguiu. Eis a primeira semana em que o povoado falou mais nela do que dela. E daqui em diante vai ser assim: Frida mãe, Frida plena, Frida única. Sua vocação sempre foi a maternidade. Foi por isso que ela aguentou aquelas traições. Diego, oras, nunca prestou. Ele falsava o amor e precisava do sexo das outras pra se sentir maior que Frida. Todos sabiam. O povoado comentava. E Frida se fez surda às fofocas. Ela ignorou a família. Engoliu as lágrimas. Sublimou as mágoas. Se pintou linda outra vez: em rosa, em lilás, em amor. Afinal já era tarde pra começar de novo. E agora ela só queria ser mãe. Por vezes disseram que Frida era fraca. Hoje eu penso que Diego se fez sempre mais submisso. E a história vai confirmar minha tese: Frida venceu!
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Essa é minha homenagem a uma Frida.
A Bravo do mês de julho prestou homenagem a outra.
[e vale a pena conferir!]
28 de junho de 2010
. Caro Mojo .
Depois do dia 24, minhas certezas se foram.
Voltei a ter dúvidas [várias]:
Ando oscilando entre Doors e Stones.
Entre o doutorado e um mês na Inglaterra.
Entre artigos e pesquisas para uma outra tattoo.
Entre roupas novas ou coisas retrôs da Internet.
Entre a ansiedade em decidir tudo isso de vez,
E a alegria de continuar pensando.
.
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Eu morri aos 27 [e voltei à vida, beibe!]
Voltei a ter dúvidas [várias]:
Ando oscilando entre Doors e Stones.
Entre o doutorado e um mês na Inglaterra.
Entre artigos e pesquisas para uma outra tattoo.
Entre roupas novas ou coisas retrôs da Internet.
Entre a ansiedade em decidir tudo isso de vez,
E a alegria de continuar pensando.
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Eu morri aos 27 [e voltei à vida, beibe!]
17 de junho de 2010
. mr. izavo .
Nada está no lugar.
Alias, nem sei mais qual é o lugar de cada coisa por aqui.
Eu me sinto como uma ninfa, entre a larva e a borboleta.
E não tem nada pior nesse mundo que a indiferença,
[que o não-ser, que o não-sentir].
Tenho tido dias de vegetação.
E nem a raiva explode mais em mim,
Porque minhas dores terminaram com o mês de maio.
E tu sabe neh?! A dor move o homem – tanto quanto o desejo.
Agora, se quiserem espiar meus tropeços
[ou achar graça no niilismo do meu universo],
Eu deixo estar [e até agradeço].
Quem sabe assim me seguro em algum riso.
E tomo a voz que ouço como vetor para o caminho de volta.
.
.
Semana que vem devem me convidar pra alguma festa pobre.
E eu vou voltar a me divertir!
Alias, nem sei mais qual é o lugar de cada coisa por aqui.
Eu me sinto como uma ninfa, entre a larva e a borboleta.
E não tem nada pior nesse mundo que a indiferença,
[que o não-ser, que o não-sentir].
Tenho tido dias de vegetação.
E nem a raiva explode mais em mim,
Porque minhas dores terminaram com o mês de maio.
E tu sabe neh?! A dor move o homem – tanto quanto o desejo.
Agora, se quiserem espiar meus tropeços
[ou achar graça no niilismo do meu universo],
Eu deixo estar [e até agradeço].
Quem sabe assim me seguro em algum riso.
E tomo a voz que ouço como vetor para o caminho de volta.
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Semana que vem devem me convidar pra alguma festa pobre.
E eu vou voltar a me divertir!
10 de junho de 2010
. do meu inferno astral .
Acabei de decidir que aquela coisa toda de inferno astral não passa de uma oportunidade forçada para a renovação. Nos 52 dias que antecederam meu niver ano passado, bati o carro, roubaram minha carteira e eu estava sem namorado. Nos 52 dias que estão antecedendo meu niver deste ano, eu bati o carro, roubaram minhas roupas do varal e eu continuo sem namorado. Tudo bem, comprei roupas novas e meu carro foi espelhado. Coisas vão, coisas vem - e as vezes voltam melhor!
Namorado?! Ah, resolvi repensar essa coisa toda de amor. Eu já não tenho a urgência do elogio, me conheço o suficiente pra não ter que me enxergar nos olhos do outro, e assim nem tudo o que vier é lucro. Estou deixando a vida rolar, com as minhas efemeridades, com planos que se modificam à minha vontade, com festas que faço dentro e fora de mim. Na verdade, quando a gente se conhece e sabe o que quer, o inferno astral não passa de um momento para repensar a vida. E é sempre melhor aproveitá-lo.
Namorado?! Ah, resolvi repensar essa coisa toda de amor. Eu já não tenho a urgência do elogio, me conheço o suficiente pra não ter que me enxergar nos olhos do outro, e assim nem tudo o que vier é lucro. Estou deixando a vida rolar, com as minhas efemeridades, com planos que se modificam à minha vontade, com festas que faço dentro e fora de mim. Na verdade, quando a gente se conhece e sabe o que quer, o inferno astral não passa de um momento para repensar a vida. E é sempre melhor aproveitá-lo.
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