11 de novembro de 2010

querido Paul

Sei que tuas intenções foram das melhores. Teu respeito ao público é coisa rara. Teu talento, indiscutível. Tua disposição venceu a de um estádio. Tua música é amor, o mais puro humano-amor. Mas sinto que não deveria ter ido a aquele show. Minha vida mudou ao te ver, e ainda não sei se isso é positivo. Calma, vou te explicar por que [e acho até que você, Sir., vai me dar razão]. Veja bem, depois de domingo:
Meu computador toca Beatles e não me concentro em mais nada.
Não consigo ouvir Something sem chorar.
Não existe pra mim pirotecnia sem Live and let die.
Minha tatuagem já não faz mais sentido.
Sinto como se continuasse anestesiada pelo teu som.
E ainda não tive coragem de tocar nos meus vinis de novo.
Penso mais em teu Tchê estrangeiro do que em qualquer outra tradição.
E as vezes me pego frente ao espelho ensaiando teus sinais.
Quase bati o carro ontem, quando o rádio tocou I've just seen a face.
Tenho me sentido como Eleanor Rigby.
Parece até que minha culpa de mãe aumentou, por ter assistido aquilo sozinha.
Minha vida não rola mais como a de Desmond e Molly.
É como se a sensação que vivi ali, contigo, fosse tão majestosa que não se pudesse mais alcançá-la.
Então estive pensando que um espetáculo desses é coisa pro fim da vida. É como gran finale: quando a pessoa pensa que já viu tudo, vem você, pra surpreender. Do contrário, a gente fica assim, imaginando que nada mais pode acontecer de tão magnífico daqui pra frente.
.
The End.

8 comentários:

Roberto Vinicius disse...

Muito bom belo texto!

disse...

estou simplesmente arrepiada e emocionada lendo teu texto, pois fui ao show e concordo com você em número, gênero e grau!

Leonardo disse...

Acho que esse é o sentimento de todos que foram ao show. Só posso querer ver o show dele novamente, pois jamais vou conseguir felicidade maior. "Até a proxima" ele disse. espero poder vê-lo de novo

parabens pelo seu texto

Suellen Roth disse...

Carol
Eu amei o seu post!
conseguiu colocar em palavras o que estou há dias tentando.
Essa sensação de que nada pode ser tão magnifico quanto o momento em que vivemos me deixa parada em frente a tela tentando encontrar as palavras,que me fogem.
Resta a esperança de um dia rever o Paul falar gauchês da forma mais encantadora possivel!

MGM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
MGM disse...

Sim!!! Vi o link lá na comunidade do orkut, li o teu post e percebi que há alguma parecença... na verdade tá todo mundo em dpp - depressão pós-paul heheee

parabéns pelo blog!

abs
Michel

Anne disse...

É exatamente esta a sensação. Apesar das expectativas para o show terem sido mais do que altas, o Macca conseguiu superar todas, infinitamente, nos contagiando com o seu amor e eterna juventude, e nos proporcionando a experiência mais surreal e incrível de toda nossa vida! Então acredito que devemos agradecer por este momento, guarda-lo calorosamente em nossos corações, sem sofrimento e máguas, mas cultivando a paz e alegria que este momento trouxe, pois os Beatles, o Macca e tantos outros nada mais fizeram do que mostrar a todos através da música o caminho do amor, amor que move o mundo, os sonhos, as pessoas, e que está aí pra nos relembrar o quão boa é a vida e o quão mágico é viver.
Abraços a todos!

Aline Schons disse...

Carol, passei para desejar-te, desde já, um Feliz Natal e, caso nao nos falemos mais, um feliz ano novo tb!

Beijos, Aline